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  • Por um mês sem você aqui…

    Hoje faz 01 mês… Dizem que o silêncio às vezes é bom, eu mesma apresentei um seminário defendendo a importância do silêncio, mas aquele de um mês atrás, o seu coração calado, matou uma parte de mim, ela se foi junto com você! Sinto meu coração rasgado em duas partes… Uma está aqui com as pessoas que eu amo, o papai e o Mateus são tudo de mais precioso que tenho, e meu coração é deles, mas outra parte está com você, onde quer que você esteja… Não posso mais ser inteira, sempre terão partes minhas em lugares diferentes, e às vezes, gostaria de te encontrar! Não posso escolher onde estar, não posso porque não posso mesmo, e também porque seria uma decisão impossível! Como escolher com qual pessoa que eu amo quero ficar? Isso é tão cruel! Se você soubesse o quanto eu te amei, se você soubesse o quanto eu sinto sua falta! Aiii, tá tão difícil! Às vezes preciso gritar, mas minha dor continua doendo e sempre e sempre! Suas fraldinhas ainda tem cheiro de novas, e nunca vou poder cheirar você, nem dar beijinhos de borboleta, nem te ensinar a letrinha do seu nome! O Mateus começou a aprender a letrinhas! Ele sabe o “M” de “tateus”, o “P” de “papai”, o “A” de “Andre e o “R” de “raquel”. Nunca vou poder ensinar pra ele a letrinha do seu nome, você nunca teve um nome!

    Essa semana me dei conta de que você nunca vai voltar! Você estava vivo, eu sei disso, seu coraçãozinho batia a 111 por minuto! Ele batia meu amorzinho! Eu ouvi! Não foi um sonho ruim que acabou, é uma realidade que não vai passar nunca. Eu tenho um filhinho que está morto, e nada nunca vai poder mudar isso! O que eu faço com todo esse amor que ficou aqui? Minha única chance é a de transformá-lo em lágrimas, aquelas que eu não pude chorar no dia em que você nasceria! Minhas opções estão acabando, não consigo pensar em mais nada, só penso que você não está mais aqui, e não há nada que possa mudar isso!

    Minha dor é cada vez mais só minha, o tempo está passando, e pensava poder estar um pouco mais forte, mas é como no primeiro dia, não quero comer, e ainda me sinto como um túmulo, incapaz de possuir vida! Meu corpo velou o seu, e a morte está aqui ainda, me rasgando em pedacinhos… Você morreu meu amorzinho, e saber que você vai estar sempre vivo dentro de mim não me deixa sentir seu cheiro, nem conhecer seu sorriso, nem mesmo ouvir seu choro ou permitir que você me acorde de madrugada! É impossível eu expressar o quanto me sinto cheirando a “sepulcro caiado”. Exalo tudo aquilo que ninguém quer perto, e começo a me sentir inapropriada. Não que isso seja verdade, porque na verdade acho que não é, mas tenho medo de ser… Seria impossível prosseguir só!

    Tem uma poesia que conheci há 10 anos, e é incrível como ela faz sentido sempre! Quando falávamos sobre loucura, quando me formei, quando casei, quando quis ir embora! E agora que perdi você, parece fazer ainda mais sentido do que em qualquer outro momento…

    Metade

    Que a força do medo que tenho
    Não me impeça de ver o que anseio

    Que a morte de tudo em que acredito
    Não me tape os ouvidos e a boca
    Porque metade de mim é o que eu grito
    Mas a outra metade é silêncio.

    Que a música que ouço ao longe
    Seja linda ainda que tristeza
    Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
    Mesmo que distante
    Porque metade de mim é partida
    Mas a outra metade é saudade.

    Que as palavras que eu falo
    Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
    Apenas respeitadas
    Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
    Porque metade de mim é o que ouço
    Mas a outra metade é o que calo.

    Que essa minha vontade de ir embora
    Se transforme na calma e na paz que eu mereço
    Que essa tensão que me corrói por dentro
    Seja um dia recompensada
    Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

    Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

    Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
    Que eu me lembro ter dado na infância
    Por que metade de mim é a lembrança do que fui
    A outra metade eu não sei.

    Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
    Pra me fazer aquietar o espírito
    E que o teu silêncio me fale cada vez mais
    Porque metade de mim é abrigo
    Mas a outra metade é cansaço.

    Que a arte nos aponte uma resposta
    Mesmo que ela não saiba
    E que ninguém a tente complicar
    Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
    Porque metade de mim é platéia
    E a outra metade é canção.

    E que a minha loucura seja perdoada
    Porque metade de mim é amor
    E a outra metade também.

    Minhas palavras hoje não foram suficientes para mostrar tudo o que ferve aqui dentro, mas posso dizer, com todo meu coração, na mais pura sinceridade…

    Amo você meu pequeno anjo, muito e para sempre!

    One Response to “Por um mês sem você aqui…”

    1. Maíra Says:

      Esse é o verdadeiro amor de mãe, que as vezes é padecer no paraíso e outras vezes é só padecer. Só Deus pode consolar seu coração… que Ele providencie todo o ombro que você precisa agora.

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